• Caroline Martins

Sustentabilidade requer novos modelos de gestão





Talvez a primeira ideia que venha à cabeça quando o assunto sustentabilidade é mencionado seja o meio ambiente. A inquietação sobre a qualidade do ambiente natural é uma característica importante da sociedade.


As discussões sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável evoluíram tanto que muitas empresas aderiram à discussão e se tornaram ativas nesse processo.


Em 2005, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por exemplo, passou a divulgar o índice de sustentabilidade empresarial (ISE). O ISE é um índice que mede o retorno médio de uma carteira teórica de ações de empresas de capital aberto e listadas na BM&Bovespa com as melhores práticas em sustentabilidade.


Com isso, a Bolsa espera fomentar a transparência e o desempenho sustentável das empresas listadas na Bovespa e fornecer informações aos investidores não apenas preocupados com o retorno de curto prazo.


A chegada do capitalismo sustentável


Para Elkington, a chegada ao capitalismo sustentável será a transição mais complexa enfrentada pela espécie humana, sendo encabeçada pelas organizações privadas e não pelos governos. Esse processo de transformação será direcionado pelas “revoluções” de:


· Mercados: a competição fará com que as empresas considerem as questões econômicas, sociais e ambientais em suas atividades, sendo esse parâmetro essencial para a competição. Isso ocorrerá pela pressão dos agentes que compõem o mercado.

· Valores: as empresas operarão com valores mais éticos nesse contexto, penalizando práticas que vão contra a lógica do Tripé da Sustentabiliade (social, ambiental e financeiro).

· Transparência: tanto de maneira voluntária quanto involuntária, a transparência de informações será cada vez maior, tanto pela guinada nos valores quanto pela influência da tecnologia da informação no uso e na disseminação de informações.

· Ciclo de vida: não só o produto final importa, mas todo o processo de produção. Muitas empresas podem enfrentar dificuldades se não se mostrarem comprometidas com todo o ciclo de seus produtos (da produção ao descarte).

· Parcerias: aumento das parcerias firmadas entre empresas para atender às demandas locais relacionadas ao tripé da sustentabilidade.

· Tempo: havia um consenso de que tempo é dinheiro. No entanto, a preocupação com os aspectos relacionados ao desempenho sustentável mudará a forma como o tempo é entendido e gerenciado.

· Governança corporativa: quanto melhor o sistema de governança, mais justa será a distribuição do valor aos stakeholders. Como as decisões sobre o desenvolvimento sustentável recaem, em última análise, nas decisões empresariais (realizadas em nível elevado da hierarquia organizacional), a governança corporativa assume papel central no debate e nas ações de sustentabilidade.


Nesse contexto de pressões externas que forçam as empresas a atenderem aspectos do desenvolvimento sustentável, as organizações precisam de novos modelos de gestão, incorporando esses princípios em suas ações.


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